SINDICATO DOS TRABALHADORES DO SERVIÇO PÚBLICO MUNICIPAL DE CAMPINAS
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09/12/2015

Luz para uma sociedade obscura

A serpente sem casca – da ‘crise’ à Frente Popular, de Roberto Amaral, é obra fundamental para compreender o atual momento político do país
 
Na imprensa e na Academia, existem analistas políticos que procuram se manter distantes de qualquer ação concreta sobre a realidade que os cerca. Há, também, aqueles a quem o filósofo Antônio Gramsci chamou de “intelectuais orgânicos”, atores que se propõem a interferir diretamente na sociedade, a partir de seu próprio viés de classe.
 
Roberto Amaral se configura como um dos principais intelectuais orgânicos da esquerda brasileira. Sua mais recente obra é uma coletânea de textos cuja leitura permite compreender de que modo o Brasil chegou à atual crise política e econômica, ao passo em que também apresenta um caminho para superá-la.
 
O título do livro é uma referência ao clássico “O ovo da serpente”, filme do diretor sueco Ingmar Bergman que descreve a vida na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial – período no qual germinaram as sementes para o que viria a ser o Nazismo.
Como diz o próprio Amaral, a característica do ovo da serpente é “a quase transparência de sua membrana, o que permite a quem o observe, conhecendo o embrião, antever a peçonha que, adulta, poderá picá-lo”.
 
Professor de Economia, ex-presidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB), ex-ministro da Ciência e Tecnologia durante o primeiro governo Lula e participe das transformações políticas do país nas últimas cinco décadas, Roberto Amaral vê no recente avanço conservador um grande risco para as conquistas democráticas recentemente obtidas pela sociedade brasileira.
 
Ao longo de seu novo livro, ele não poupa críticas às escolhas inadequadas assumidas pelos governo Lula e Dilma e vê na formação de uma Frente Popular a saída para evitar quaisquer tipos de retrocesso social.
 
Amaral entende que esse movimento não pode ignorar os partidos políticos, mas sim colocá-los lado a lado com outras organizações de massa da sociedade civil, como sindicatos, estudantes, intelectuais e todos os setores de viés progressista que estejam dispostos a lutar pela democracia, pela soberania nacional, pelo combate à desigualdade e pela retomada do desenvolvimento.
 
Em meio à ignorância e obscuridade que têm caracterizado o debate político nacional, “A serpente sem casca” se destaca como uma necessária dose de luz para que a atual crise seja superada.

* Fernando Damasceno* 

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